Report
Report Arpejo — junho/2026: as tendências que estão moldando a publicidade

Todo mês, a equipe de planejamento da Arpejo garimpa o que está mexendo com o mercado — notícias, tendências de consumo, eventos e as campanhas que merecem atenção — e reúne tudo no que chamamos de Report. Esta é a edição de junho de 2026, e ela veio cheia: a inteligência artificial redesenhando a busca, novos comportamentos de consumo, o maior evento do varejo alimentar do país e uma Copa do Mundo que tomou conta da publicidade brasileira.
Notícias que mudam o jogo
Google Gemini Omni: a IA fica multimodal
O Gemini Omni marca a nova fase da IA do Google, reunindo geração e edição de texto, imagem, áudio e vídeo em uma única experiência conversacional. Já dá para criar e editar vídeos direto pelo chatbot, o que acelera processos criativos. Em contrapartida, o Google passou a impor limites de uso nas funções mais avançadas.
O fim dos "dez links azuis"
O Google anunciou a maior reformulação da história do Search: a lógica dos "10 links azuis" dá lugar a uma experiência conversacional, visual e baseada em IA, com respostas interativas e agentes que pesquisam pelo usuário. A busca deixa de ser um índice de navegação e vira uma camada assistiva.
Para as marcas: a disputa por relevância digital deixa de depender só de SEO e cliques. Passa a ser preciso criar conteúdo útil, contextual e confiável o bastante para ser interpretado, recomendado e priorizado pelos sistemas de IA que agora mediam a busca. (É exatamente por isso que a Arpejo investe neste blog.)
LinkedIn declara guerra ao "AI slop"
O LinkedIn anunciou medidas para reduzir o conteúdo genérico produzido em massa com IA — o chamado "AI slop": posts polidos na aparência, mas sem profundidade nem contribuição original. A plataforma passou a dar menos distribuição a conteúdos repetitivos e a comentários automatizados.
Para as marcas: autenticidade, repertório e perspectiva humana voltam a valer mais do que volume e automação.
Globo lança a DTV+ (TV 3.0)
A Globo estreou a DTV+ durante as transmissões da Copa do Mundo, integrando a TV aberta tradicional à internet banda larga em uma experiência única e interativa. Para a publicidade, abre segmentação por perfil, personalização, t-commerce pela própria TV e recortes geográficos mais precisos.
Para as marcas: a TV aberta deixa de ser só mídia de alcance massivo e passa a funcionar como plataforma de dados, interatividade e performance.
Tendências de consumo
Pink is the new black: a ascensão do "Electric Fuchsia"
As chuteiras rosas viraram uma das marcas visuais da Copa de 2026. Segundo a Nike, cores vibrantes como o rosa se associam a mais autoconfiança e ganham destaque no gramado e na transmissão. Adidas e Puma seguiram a tonalidade (vista em seleções como Japão, Brasil e Suíça), alinhadas à previsão da WGSN, que apontou o "Electric Fuchsia" como cor-chave do verão de 2026.
Para as marcas: cor é linguagem. Ler a cultura visual do momento é uma decisão de posicionamento, não só de estética.
Re:purpose: propósito que vira infraestrutura
Em um cenário de tensão política e perda de confiança nas instituições, cresce a pressão para que marcas assumam posicionamentos claros e ativos. No SXSW 2026, Ben Cohen, cofundador da Ben & Jerry's, defendeu que propósito não pode viver só no discurso — precisa ser incorporado ao modelo de negócio. A AXA foi outro exemplo citado, ao incluir proteção para casos de violência doméstica nos contratos.
Temos uma missão social, uma missão de produto e uma missão financeira — as três igualmente importantes e mutuamente interdependentes.
Para as marcas: mais do que campanhas pontuais, o público espera ações concretas e coerentes. O diferencial está em transformar propósito em prática, integrada à operação.
Living Storyworlds: narrativas que se habitam
Marcas e criadores estão construindo universos narrativos imersivos — cheios de camadas, que o público pode explorar, influenciar e habitar. A narrativa deixa de ser algo para assistir e vira espaço de participação contínua, com realidade aumentada, realidade virtual e computação espacial ampliando o palco.
O futuro do storytelling estará justamente naquilo que a tecnologia ainda não consegue replicar: experiências físicas, novidade e conexão humana genuína.
A frase é de Kadlubek, cofundador e diretor de visão criativa do Meow Wolf. Para as marcas: pensar menos em "campanha com começo, meio e fim" e mais em mundos nos quais as pessoas entram, interagem e criam vínculos contínuos.
Os 4 comportamentos do consumidor em 2028
De acordo com a WGSN, 2028 será marcado por excesso de estímulos, polarização e desgaste emocional — levando as pessoas a buscar experiências mais humanas e intencionais. A consultoria destaca quatro comportamentos:
- Irreverência Humor e sagacidade como válvula de escape — identificação por ironia, memes e autenticidade.
- Engajamento consciente Com atenção e confiança escassas, a relação com marcas fica mais seletiva; relevância e personalização são decisivas.
- Alegria rebelde Busca intencional por pequenas alegrias, acolhimento e pertencimento em meio ao caos.
- Quietude Silêncio, desaceleração e momentos offline passam a ser percebidos como valor.
Para as marcas: o desafio deixa de ser capturar atenção e passa a ser gerar ressonância emocional.
O novo ecossistema da busca
Segundo a Meta, pesquisa tradicional e pesquisa social pararam de competir e passaram a se complementar. A busca tradicional é utilidade ("sei o que quero, encontre para mim"); a busca social é influência ("quero saber, me mostre o que é confiável"). Alguns números:
Para as marcas: a intenção não nasce só na busca direta — nasce também nos momentos de inspiração cultural e social. É preciso estar presente em diferentes etapas da jornada.
Microdramas: branded content como estratégia de atenção
Os microdramas se consolidam como um novo formato de branded content: campanhas viram séries curtas e roteirizadas, pensadas para TikTok e Reels (episódios de 1 a 4 minutos, com cliffhangers). Marcas como Crocs, Marc Jacobs e MCoBeauty já apostam no formato. A receita: criar a narrativa antes da campanha, pensar como entretenimento (não anúncio), escolher o elenco com timing narrativo e transformar tudo em um ecossistema de conteúdo — cortes, bastidores, memes.
Para as marcas: atenção virou o ativo mais escasso — e o formato seriado prende melhor que o anúncio avulso.
APAS Show 2026: a feira que virou experiência
Com mais de 150 mil visitantes circulando pelos pavilhões, a APAS Show — uma das maiores feiras de alimentos e bebidas da América Latina — bateu recorde: 153 mil pessoas em quatro dias. Em um ambiente tão competitivo, expor produto na gôndola já não basta. As marcas investiram pesado em marketing de experiência: dinâmicas interativas, cabines de prêmios, degustações imersivas e embaixadores presentes todos os dias.
A organização até criou a APAS RUN, uma corrida na véspera da feira que transformou a abertura em pré-engajamento — networking, senso de comunidade e conteúdo espontâneo nas redes.
Cases que se destacaram
A Santa Helena montou um ambiente vibrante, cheio de degustações e interações, enquanto a Santa Massa equilibrou um estande comercial com experiência gastronômica — uma chef preparando receitas de pão de alho ao vivo.
5 insights do varejo (fonte: Supervarejo)
- O fator humano segue sendo o maior diferencial.
- IA e automação vieram para liberar tempo para o que importa.
- Dados só valem quando viram decisão.
- O varejo do futuro é um hub de experiências.
- O cliente continua no centro da estratégia.
Como a Arpejo lê tudo isso?
Tendência não é para copiar — é para interpretar. No nosso método Skinbo, cada movimento do mercado passa pelo filtro da estratégia da marca antes de virar ideia. É assim que técnica encontra feeling.
Quer aplicar essas leituras na sua marca? Fale com a gente.
Perguntas frequentes
O que é o "fim dos 10 links azuis" na busca?
É a maior reformulação da história do Google Search: a lista de links dá lugar a uma experiência conversacional, visual e baseada em IA, com respostas interativas e agentes que pesquisam pelo usuário. A busca vira uma camada assistiva.
O que muda para as marcas com a IA na busca?
A relevância digital deixa de depender só de SEO e cliques. Passa a ser preciso criar conteúdo útil, contextual e confiável o bastante para ser interpretado, recomendado e priorizado pelos sistemas de IA que agora mediam a busca.
Quais são os 4 comportamentos do consumidor em 2028?
Segundo a WGSN: irreverência (humor como válvula de escape), engajamento consciente (relação mais seletiva com marcas), alegria rebelde (busca por pequenas alegrias) e quietude (silêncio e momentos offline como valor).