REVERB
REVERB com Luis Siqueira: 6 aprendizados de 2 gigantes (P&G e Amazon)

Poucos convidados condensam tanta escola de marca quanto Luis Siqueira: mais de 20 anos na Procter & Gamble (Ariel, Downy, Gillette, Oral-B, Pampers, Vicks) e, hoje, na área de mídia da Amazon. No REVERB, ele desmontou um mito: os conceitos que fizeram os gigantes crescer não dependem de verba milionária — cabem até em uma pequena squad.
A gente acha que é tudo megalomaníaco e inatingível. Não é. O time que cuida de uma marca gigante às vezes tem 15 pessoas.
- 1. Consumidor no centro Ir a campo, achar o atributo que importa e construir a marca a partir dele.
- 2. Execução A estratégia certa só vende quando a execução a traduz — da gôndola ao filme.
- 3. Pessoas e cultura Propósito, valores e formação de dentro sustentam qualquer estratégia.
- 4. Consumidor local A fórmula global não funciona igual — entender o Brasil foi a virada.
- 5. Obcecado pelo cliente Olhar para o cliente (não o concorrente), com velocidade e "discorda e segue".
- 6. Todo mundo vende Qualquer função está o tempo todo vendendo algo a alguém.
1. O consumidor no centro — e a marca no centro de tudo
Como assistente de uma marca de detergente com baixa penetração (0,7% de share), Luis foi lavar roupa na casa da consumidora. Descobriu um único atributo mal avaliado — o "resíduo na roupa" — e daí nasceu o lançamento do detergente líquido, que mudou a categoria no Brasil. A ferramenta: quem / o quê / por quê / como, e a "pirâmide de equity" (propósito, ponto de diferença, ponto de paridade, consistência).
Teve ainda uma sacada de posicionamento: como a concorrente já ocupava o território da "mãe", a comunicação apostou na mulher moderna (com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres), abrindo um espaço próprio. Ninguém apostava numa marca de menos de 1% de share — e ela mudou a categoria.
2. Execução é a tradução da estratégia
No lançamento do amaciante Downy, a estratégia estava certa e o produto era amado — mas não vendia. O problema era execução: na gôndola, a consumidora não reconhecia a categoria (azul). Ajustada a exposição e a comunicação (o famoso filme "da grega", posicionando o produto como perfume, não maciez), a marca virou líder. Lição: quando falha, muda a execução — não a estratégia.

3. Pessoas e cultura sustentam tudo
Propósito claro, valores fortes, formação de dentro (contrata-se fora só quando não há ninguém pronto) e plano de carreira. É o que faz um estagiário virar diretor na mesma casa. Como ele resume: estratégia precisa de direção e cultura que a sustentem.
4. Entenda o consumidor local
A fórmula global não funciona igual em todo lugar. A virada da P&G no Brasil veio de entender o consumidor brasileiro (do cabelo cacheado ao mais de um banho por dia) — em vez de empurrar a comunicação "enlatada" de fora.
5. Por que olhar para o cliente, e não para o concorrente?
Na Amazon, a cultura é olhar para frente: "a gente nunca olha para o concorrente". Em vez de reagir, pergunta-se por que o cliente escolhe o outro (mais rápido? tem o produto? menor preço?) e resolve-se isso. Some a isso velocidade e decisão apoiada em dados em tempo real.
Um dos princípios que mais chamou atenção foi o "discorda e segue" (o disagree and commit): depois de uma discussão franca, você pode até discordar da decisão tomada — mas, uma vez batido o martelo, se compromete com ela como se fosse sua e toca o projeto sem sabotar por baixo. É o que evita que o time fique travado à espera de consenso: decide-se, e anda.
Duas práticas traduzem essa cultura no dia a dia. A reunião sem PowerPoint: em vez de slides, escreve-se um documento (o famoso "6-pager"), lido em silêncio nos primeiros minutos do encontro — o que obriga clareza de raciocínio e nivela a conversa (ninguém se esconde atrás de um bullet). E o "time de duas pizzas": nenhuma reunião deve ter mais gente do que duas pizzas conseguem alimentar. Grupos pequenos decidem mais rápido e com mais responsabilidade sobre o resultado.

6. Todo mundo está sempre vendendo
Não importa a função: você está o tempo todo vendendo algo a alguém. Sentar na cadeira de vendas foi uma decisão de carreira para entender o negócio por dentro.
O melhor de tudo? Nada disso é exclusividade de gigante. É repertório que uma agência do interior — e as marcas dela — podem aplicar hoje. É a mesma lógica do nosso método Skinbo. Vamos conversar sobre a sua marca?
Perguntas frequentes
O que uma marca pequena pode aprender com P&G e Amazon?
Que os conceitos que fazem os gigantes crescer não dependem de verba milionária: colocar o consumidor no centro, cuidar da execução, investir em pessoas e cultura e ser obcecado pelo cliente cabem em qualquer time.
O que é o "discorda e segue" (disagree and commit)?
É um princípio da Amazon: depois de uma discussão franca, você pode discordar da decisão tomada, mas, uma vez batido o martelo, se compromete com ela como se fosse sua. Evita que o time trave à espera de consenso.
O que é o "time de duas pizzas"?
É a regra de que nenhuma reunião deve ter mais gente do que duas pizzas conseguem alimentar. Grupos pequenos decidem mais rápido e com mais responsabilidade sobre o resultado.